No entanto, Edith claramente não estava acreditando; seu olhar permaneceu afiado e inabalável, fixado em Elisa como se ela a tivesse escolhido como presa.

Não foi inteiramente culpa dela; afinal, eles tiveram um desentendimento acalorado antes de entrar no tribunal. Edith até tentou dissuadir Elisa pouco antes do início do julgamento.

“Se você estiver disposto a desistir do processo agora, a família Grayson estará lá para apoiá-lo no futuro. Em outras palavras, nossa família lhe deve um favor”, declarou Edith durante a última sessão de mediação antes do processo judicial.

Ao longo dos anos, a posição da família Grayson pode não ter sido tão ilustre como antes, mas eles ainda detinham uma influência considerável. Muitos estavam dispostos a ficar em dívida com a família Grayson, se tivessem oportunidade.

Elisa, no entanto, permaneceu imperturbável.

Ela preferiria mandar Paul para a prisão do que receber um favor dos Graysons.

Ela tinha ido longe demais para mudar de ideia. Seria injusto com ela e Gareth, considerando as dificuldades que suportaram durante esta provação. Também seria injusto com Bella e Julia, que carregavam consigo seus fardos.

Um leve sorriso surgiu nos lábios de Elisa quando ela respondeu: — Obrigada, Sra. Grayson, mas há certas coisas que preciso ver.

Vendo o comportamento resoluto e inflexível de Elisa, até mesmo Edith não pôde evitar desabafar sua frustração. “Eu simplesmente não entendo por que você está tão determinado a levar Paul à justiça. Sim, ele cometeu um erro, mas você não pode perdoá-lo só desta vez?

A voz de Edith tremeu e seu tom se suavizou. “Paul está na empresa há muitos anos e, embora possa não ter feito contribuições substanciais, dedicou anos de trabalho árduo.”

Edith abandonou sua fachada de senhora rica e implorou sinceramente.

Na verdade, Paul foi um colaborador dedicado da empresa nos seus primeiros anos. Mais tarde, porém, ele caiu na arrogância e reivindicou o que nunca deveria ser dele.

Foi o próprio Paulo quem provocou a situação atual, mergulhando lentamente no abismo.

Não havia mais ninguém para culpar.

Elisa olhou para Edith com uma mistura de perplexidade e pena nos olhos.

Ela expressou seus pensamentos, dizendo: “Um homem que é desleal à sua família carece do mais fundamental senso de responsabilidade. Como podemos esperar que ele se comporte de maneira responsável na sociedade? Sra. Grayson, por que você insiste em defendê-lo?

Edith abriu a boca para responder, mas ficou momentaneamente sem palavras.

“Além disso”, acrescentou Elisa com um sorriso, “você já não convenceu Rochelle a assumir total responsabilidade? Com o que há para se preocupar?”

Edith instintivamente deu meio passo para trás, surpresa por Elisa ter acesso a essa informação.

Era evidente que aquela jovem possuía muito mais recursos e conexões do que Edith previra — um adversário a ser enfrentado.

Sem a interferência de Edith, o caso de Elisa seguiu tranquilamente para o tribunal.

O desdém de Edith era fundado, mas Elisa não tinha vontade de se explicar.

Afinal, cada um tinha sua própria perspectiva.

Depois de anos suportando o que Paul fez com ela e com a empresa, eles chegaram a um impasse intransponível. Este foi o único recurso.

“O tribunal está agora em sessão.”

À medida que o pronunciamento do juiz ecoava pela sala do tribunal, assinalava o fim de qualquer esperança de mediação e o início do processo legal.

Edith fechou os olhos, oferecendo silenciosamente suas orações.

Rochelle e Paul foram escoltados, ambos algemados.

Em comparação com o encontro anterior, Rochelle parecia consideravelmente mais animada.